Tamandaré entra na era do Turismo de Mergulho

  • Categoria: Tamandaré

Agência Brasil – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),  a Secretaria de Ecoturismo do Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Embratur e a Marinha afundaram dois navios na costa de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco, dia 16 de setembro.
A ação faz parte do Programa Nacional de Revitalização do Ecoturismo Náutico proposto pela Embratur com foco no turismo náutico. O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para comentar o assunto e disse que o afundamento vai promover o turismo de mergulho e o abrigo de peixes.
De acordo com o diretor de Marketing e Relações Públicas da Embratur, Osvaldo Matos de Melo Júnior, a ideia é reformular políticas públicas que aliem desenvolvimento e sustentabilidade para alavancar o turismo brasileiro.
Os navios Riobaldo e Natureza passaram por um processo de remoção de tinta para evitar a intoxicação da água. Todo o preparo foi acompanhado pelo ICMBio, que desenvolve estudos de impacto ambiental.
Segundo o Ministério do Turismo, o afundamento de vagões, aeronaves, embarcações de diversos tamanhos, estátuas gigantes e viaturas blindadas em áreas propicias para o mergulho vão trazer desenvolvimento de pousadas, hotéis e resorts e são prioridade para a pasta.
A ação foi articulada pelo prefeito Sérgio Hacker junto a Gilson Neto, na época secretário nacional de Ecoturismo e hoje presidente da Embratur, e tem por objetivo inserir o município na rota do Parque dos Naufrágios, o que sem dúvida irá garantir um grande incremento ao turismo local.
O Riobaldo e Natureza foram afundados na baía de Tamandaré, próximos um do outro a 3 milhas da costa, em frente ao Forte de Tamandaré, na região do porto natural de Tamandaré na APA Costa dos Corais, e em local com visitação turística permitida. O patrimônio submerso de Tamandaré poderá ser visitado inclusive com o Turismo de mergulho na APA Costa dos Corais e APA Guadalupe.
No estado de Pernambuco, a legislação proíbe a pesca em áreas de naufrágios, e isso garante a segurança dos turistas.
Os navios – Segundo oTamandaré Sustentável, página da Secretaria de Meio Ambiente do município no Facebook, o navio Riobaldo foi construído nos EUA, em 1969. O Brasil o comprou em 1971, para pesquisas. Em mais de 100 cruzeiros, gerou importantes informações do litoral brasileiro, inclusive do programa REVIZEE que definiu a Zona Econômica Exclusiva Maritima Brasileira.
Em 1984, ficou sob a responsabilidade do Cepene, portanto, há 35 anos faz parte da paisagem de Tamandaré.
Em 2018 o CEPENE e a Marinha do Brasil decidiram aposentar as embarcações Riobaldo e Natureza, e prosseguir com o que se chama descomissionamento do patrimônio e retirar os motores e equipamentos para evitar o risco de afundamento no pier.
A preocupação dos habitantes e conservacionistas de Tamandaré agora é com o destino do Pier, administrado por órgão federal. Segundo o prefeito Sérgio Hacker, há negociações no sentido de que o pier seja objeto de concessão para que o turismo náutico seja operado a partir daquele local. A concessão permitiria que passeios de catamarãs e jangadas pudessem partir do pier com destinos de mergulho ou contemplação do litoral, abrindo um leque para o que hoje em dia é feito praticamente só na Praia dos Carneiros. Segundo ainda o prefeito, tudo seria operado através de empresas, que arcariam com os custos.