Festa dos Pescadores em São José da Coroa Grande

Colônia de Pescadores Z9 tem uma mulher no comando

Foi realizada dia 29 de junho em São José da Coroa Grande a tradicional Festa dos Pescadores, em homenagem a São Pedro, padroeiro da categoria. Mesmo com chuva, foi realizada uma missa em frente à Colônia Z9 e depois a procissão que levou a imagem de São Pedro até a orla, onde foi embarcada no barco Fé e Vida para a procissão marítima. Durante a noite houve shows musicais.
A colônia de Pescadores Z9 de São José da Coroa Grande foi fundada em 22 de abril de 1922, tendo completado, portanto, 93 anos neste 2015.
Fazem parte do quadro de associados hoje 450 mulheres (marisqueiras) e 550 homens.
A atual presidente, Enilde Lima, vem de uma familia tradicional de pescadores, de geraçao  em geração. “Tenho afinidade com a atividade da pesca, pois em minha família somos pescadores desde meu bisavô”, diz Enilde. “Sou marisqueira e minha mãe também. Sou viúva e tenho filho pescador e sempre tive uma convivência com eles todos, principalmente os homens”, afirma.
Enilde Lima assumiu a Colônia de Pescadores em um momento de crise, depois que, segundo ela “A colônia passou 23 anos nas mãos de uma diretoria que nada mais fazia, estávamos perdendo nossos direitos. Quando assumi a presidência, a colonia tinha mais de um milhao em dívidas, e hoje estamos organizados também financeiramente.
Nosso trabalho é lutar pelos direitos dos pescadores e de seus dependentes. Se levarmos em conta que 35% da renda do município depende da atividade da pesca, que coloca na mesa do consumidor cerca de 70% da pesca artesanal do estado, então vemos a importância disso e o número de pessoas envolvidas”.

Enilde Lima com o prefeito de Ipojuca, Carlos Santana, e a deputada Simone Santana. Na outra foto, com o governador Paulo Câmara.

Enilde Lima falou também à reportagem do Grande Litoral sobre a Medida Provisória e os decretos assinados em abril pela presidente da república, que afetam diretamente os pescadores artesanais, restringindo seus direitos e abrindo brechas na lei para que grandes empresas de pesca e donos de grandes barcos possam se declarar “pescadores artesanais”: “Conseguimos depois de muita luta as garantias de nossos direitos como pescadores, direitos estes que hoje estão ameaçados com essa MP e com os decretos 8424 e 8425, que nos prejudicam diretamente. É uma falta de respeito com nossa classe, os pescadores artesanais são os mais afetados, principalmente as mulheres marisqueiras. Mas continuamos na luta, faço parte da coordenaçao do Movimento dos Pescadores(as) a nível estadual e nacional, onde somos respeitados. Estamos indo a várias instâncias para tentar reverter este quadro”.
Quanto à grande Festa dos Pescadores recentemente realizada, Enilde diz que “Resgatamos uma tradiçao que estava quase esquecida, o Dia de São Pedro e o Dia do Pescador são datas símbolo para essa classe sofrida, um dia de união e de confraternização, quando valorizamos nossos costumes, nossas crenças e nossa relação com o mar”.